Como tradutora, ao final do ano de 2008, tive a felicidade de ter em mãos um expressivo documento de mais de 150 páginas versando sobre a educação terciária na África Subsaariana. Trata-se de um estudo baseado nos dados do Banco Mundial e nas MDMs (Metas de Desenvolvimento do Milênio), direcionado às autoridades daquela região e a seus parceiros de desenvolvimento, analisando a necessidade e o desafio da reforma educacional, bem como a de investimentos em educação, de maneira a que os países possam adquirir a qualificação e a especialização que precisarão para a bem-sucedida participação na atual economia global.Já no princípio deste ano de 2009, ao colocar minha sempre atrasada leitura de atualidades em dia, deparei com dois textos publicados na revista Veja: uma entrevista, onde a antropóloga Eunice Durham discorre sobre as bases precárias de nosso ambiente pedagógico, e um artigo assinado por Gustavo Ioschpe que disseca as carnes decrépitas da educação brasileira. Lógico que em um ambiente onde o tupiniquismo se une ao pensamento populista e a conveniências particulares, as tais opiniões foram alvo de retaliações que atingiram proporções desmedidas se comparadas com a simples objetividade com que o assunto da educação foi tratado por ambos.

Fato é que as três fontes contêm elementos alarmantemente semelhantes. Como se faz isso possível, se a África Subsaariana se encontra retalhada em 47 países, em constante conflito étnico, político e linguístico, e o Brasil é um só país, sob o mesmo idioma e Constituição? A resposta é que temos vilões em comum, responsáveis pela tragédia educacional nos dois continentes e que resistem ao tempo, às pertinências e a mais pura lógica administrativa, tramitando incólumes de um lado a outro do Atlântico Sul.
Brasil e África compartilham da inépcia em fazer com que o capital humano bem qualificado seja a força motriz da produtividade, do empreendedorismo, da competitividade na exportação e, em decorrência, do bem-estar social. Relutam, por questões de popularidade política, em enxugar o sistema de ensino para que este seja efetivo, mesmo que isso signifique lutas ferrenhas com o corporativismo de profissionais que não falam em deveres com a mesma energia com que bradam seus direitos. A formalidade arcaica de uma nata acadêmica solfejante se mantém firme nos dois continentes, mesmo diante da absurda presença de uma alfabetização caquética e da ausência do uso eficaz da leitura e do aprendizado. Não se pluraliza o acesso à educação na forma, por exemplo, de ensi
no não-presencial ou cursos técnicos terciários, mais baratos e direcionados. E, sem que isso esgote o assunto, não remanejam eficientemente as verbas de educação, distribuindo-as de forma estratégica entre os cursos primário, secundário e terciário, investimentos públicos e privados, bolsas e empréstimos educativos.Brasil e África precisam, através da ação de seus governos e da participação ativa da sociedade, dar a esta questão educacional a prioridade que merece, sem protecionismos ou filosofias vãs. As consequências de não dar ao assunto a devida importância e objetividade tendem a ser catastróficas e assumirem a forma de alunos graduados mas sem qualificações profissionais viáveis, altos níveis de desemprego, alienação pessoal e exclusão social, e instabilidade política e econômica decorrente do desenvolvimento precário e baça competitividade frente a outros países mais estruturados no setor educacional.


O quê mais poderia se esperar da Mumunha? Parabéns! Você é mais corajosa que eu. Desde Dezembro que criei dois blogs por falta de um e até hoje não postei nada...
ResponderExcluirContinue assim e logo você será candidata a algum cargo público, e se for Federal, pode contar com o meu voto.
A propósito, você já viu quantos bloggers tem aí na sua cidade? Tem até um estúdio de gravação, um American Teenager e um sagitariano de 252 anos...
Beijos.
Bem-vinda! Você vai adorar ter um espaço pra se expressar. Boa sorte!
ResponderExcluirUm grande beijo,
Lú